Mais "Imparcialidades e incompatibilidades"
Se tiverem paciência, solicito uma leitura do texto do dia 8 de Abril.
Volto ao assunto porque o jornalista/comentador da revista "Doze", Rui Santos, escreve na última edição:
"Há, hoje, enviados especiais que, depois de receberem o seu nome inscrito nas camisolas da selecção e de se pegarem como pastilha elástica àqueles que pretendem entrevistar (e entrevistam), vêm mais tarde (em artigos de opinião!!!) sublinhar as proezas daqueles que procuram os fretes. Tudo isto é feito com um à-vontade extraordinário, em nome do "amiguismo" (...). Hoje, consegue-se uma entrevista; amanhã, agradece-se com um artigo de opinião laudatório".
Não gosto do estilo "toca e foge" do texto (insinuante, sem dizer de quem se está a falar), não acho que não se possa escrever um artigo de opinião (até elogioso) sobre quem se entrevistou e desconheço se há um contexto anterior que possa ser importante para compreender a coisa, mas como se relaciona com algo que escrevi, também não ignoro.
É a clássica dicotomia entre o ser e o parecer. E como a maior parte das vezes basta parecer...
PS - Muito a montante, pode estar uma outra situação que caracteriza o nosso jornalismo quotidiano: a abundância de artigos de opinião; o jornalismo de há décadas tinha muitos defeitos, mas os nossos antigos não faziam tudo mal! A separação entre factos e opinião, a distinção clara entre os dois géneros e uma demarcação mais ou menos clara entre jornalistas que opinam e os que não pareciam-me bons princípios (lembram-se de um texto sobre a participação, como comentadores, num "Forum TSF" de dois relatadores de futebol da própria TSF? É isso mesmo!).