Incompatibilidades - ser o biógrafo...
Não é a primeira vez que este assunto é abordado publicamente, mas prevalece a visão corporativa. Além disso, trata-se de um fenómeno novo em Portugal... o das biografias mais ou menos oficiais, escritas por jornalistas.
Eu nunca escrevi nenhuma, mas qualquer um aceitará que é necessária uma grande cumplicidade entre biografado e biógrafo. Este terá acesso a informação privilegiada, que não poderá usar, e é óbvio que não está ali para desagradar àquele.
Ora isto remete imediatamente para a esfera das decisões pessoais, que é o primeiro nível de avaliação das incompatibilidades jornalísticas.
Mas o problema assume outra proporção neste cenário, nada ilógico: o biógrafo, que é jornalista, obtém, por outras fontes, informações relevantes sobre o seu biografado. Vai usá-las, desagradando àquele? Ou vai diminuir-se, anular-se, evitando fazer essa notícia?
Deixo espaço para contributos externos, mas a mim parece-me óbvio que o biógrafo (um direito que qualquer um tem, seja jornalista ou não) não deve trabalhar editorialmente assuntos directa ou indirectamente relacionados com o biografado. Para sua defesa e do órgão de comunicação social em causa. É incompatível.