Jornalismo de referência - responsabilidade
Não conheço nenhuma obra que sistematize aquilo que é o chamado jornalismo de referência, mas qualquer um de nós conseguirá juntar meia dúzia de características que o distinguem do tabloidismo.
Uma delas é - na minha opinião - evitar referências familiares ou pessoais, quando são irrelevantes para a essência dos factos ("irmão de ministro preso", se o ministro não tem qualquer relação com a notícia?).
Vem isto a propósito de uma notícia do Público de hoje, na insuspeita página de Cultura, onde se relata um caso judicial envolvendo o arquitecto Taveira.
Quando a jornalista se refere ao advogado de Tomás Taveira escreve:
"Ontem, em tribunal, o seu advogado Luiz Francisco Rebello, que em Maio de 2003 se demitiu de presidente da direcção da Sociedade Portuguesa de Autores na sequência de acusações de fraude, corrupção e gestão danosa, insistiu que Taveira "não quis diminuir a figura de Conceição Silva"...".
O que é que justifica esta referência passada a LFR, irrelevante para os factos em questão, uma vez que nem se relaciona com a sua actividade como advogado?
Não sei se a intenção era essa, e se havia mesmo alguma intenção, mas acho que a tal referência diminui o advogado em causa.
E acho que no jornalismo de referência uma associação tão despropositada não teria lugar.