Várias reflexões: do inglês ao estilo
Ouve-se: "um trabalho do jornalista José Manuel Rosendo, da pool de rádios TSF/Antena Um, no Iraque".
Acaba de passar na TSF o primeiro trabalho do enviado especial da Antena Um ao Iraque, resultado do acordo que as duas rádios fizeram para diminuir a presença de jornalistas (pedido pela GNR) e - já agora - reduzir custos.
E esse facto suscita dois comentários:
1) O termo inglês pool ("acordo entre empresas concorrentes para fixação de preços...") é usado internamente e faz, portanto, parte da gíria jornalística. Mas não é nem deve ser do conhecimento dos ouvintes; a rádio (as rádios) deveriam ter perdido algum tempo a equacionar uma designação mais próxima, mais... amiga!
Não é apenas por ser uma palavra em inglês, é por ser nova - vai despertar reacções "ruidosas" no ouvinte.
Não era mais simples dizer: "enviado especial da TSF/Antena 1 ao Iraque"? Agora "pool"?!
2) Há um estilo de fazer (de embrulhar, de formatar, como agora se diz) diferente entre a A1 e a TSF; por razões óbvias, não (me) interessa classificar qual é melhor e pior; mas - como ouvinte regular da TSF - não posso deixar de salientar a estranheza:
Pode ser um fundamentalismo, mas sou defensor do estilo TSF (tão legítimo como qualquer outro), que tenta articular o lead entre editor e repórter, separando o que um diz da função do outro (que está no terreno, que testemunha, que sabe mais. Mas que não dá a notícia). A ouvir aqui.