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Interpretar o que dizem as fontes

Uma carta, da administração da Impala, na última página da revista do Expresso, suscita uma análise.
A carta insurge-se contra, por um lado, as declarações de Manuel Maria Carrilho (por causa da foto de Bárbara Guimarães com o filho) e, por outro, contra uma extensão interpretativa feita pelo jornalista.
É um caso muito interessante - e frequente!
Carrilho disse que "há um grupo empresarial que são uns mercenários da imagem". Mas não quis explicar a quem se queria referir.
Já o jornalista do Expresso acrescenta de imediato: "[trata-se] de uma alusão ao Grupo Impala, a que pertence a revista «VIP»".
A missão do jornalista é dizer aquilo que a fonte evita deliberadamente?
A resposta é complexa, porque, há, por um lado, o dever de informar o leitor/ouvinte (este ficaria na dúvida); mas também há que perceber onde começa e termina a nossa função.
Carrilho evitou claramente pronunciar (por receio de tribunal? por pudor?), mas o jornalista ajudou-o: os leitores ficaram a saber de quem se trata, mas através do jornalista.
Penso que seria preferível o jornalista ter deixado claro que insistiu com Carrilho para ele explicar a quem se referia e que este se recusou.
A administradora do Grupo Impala promete concluir o caso em tribunal; caso a ameaça se concretize, Carrilho pode "lavar as mãos", o jornalista é que tem de responder. Vai dizer que foi Carrilho quem lhe disse?

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