Espanha, Az(n)ar e fontes
O que se passou em Espanha, com a tentativa de manipulação dos factos e a derrota nas eleições, merece bem todos os textos que foram publicados; em Portugal e no resto do mundo. E, tenho a convicção, este caso ficará na memória durante várias gerações, porque não faltarão estudos, livros, e até documentários inspirados nos pormenores conhecidos.
(Não foi a primeira nem será a última vez que os políticos manipulam a comunicação social e, por extenso, a opinião pública; só que desta vez soube-se, correu mal...).
Depois de tanta gente ilustre ter escrito, resta pouco para dizer: mas porque o caso, marginalmente, se relaciona com algo sobre o qual tenho tentado sistematizar algumas ideias, aqui fica:
- Como bem conta a provedora dos leitores do El País (no próprio domingo eleitoral), a fonte da notícia que suportava a primeira página da edição especial de sexta era o próprio primeiro-ministro Aznar.
Mas a notícia não cita ninguém. Nem anonimamente!
Na desculpa que apresentou aos leitores, o director do El País justifica-se com a credibilidade do primeiro contacto telefónico feito por Aznar em oito anos. E garante que a informação era inequívoca: "No se trataba de una convicción o una deducción lógica, era una asseveración en términos absolutos. 'Tenemos la seguridad de que ha sido ETA. Lo han intentadi en dos ocasiones, y a la tercera, desgraciadamente, lo han conseguido'."
O director do El País (o melhor jornal da Europa) só não explica por que é que não citou a fonte (nem diz que Aznar lhe pediu confidencialidade)!
É sobre isso este texto, sobre o "vício" que o jornalismo de referência adquiriu de aceitar informações anónimas, mesmo quando elas até são identificadas!