Fontes anónimas e sigilo profissional- chover no...?
Sobre o hábito generalizado de (não) identificar as fontes por parte dos jornalistas, José Vítor Malheiros assina um texto muito interessante no Público de hoje.
Será chover no molhado, a começar pelo próprio Público, mas aqui ficam algumas ideias essenciais:
- a identificação faz-se porque "o cidadão tem direito a conhecer a fonte de uma informação para poder responsabilizar o seu autor";
- em que casos pode um jornalista garantir o anonimato a uma fonte que constitua a base de uma dada história? "Apenas quando exista uma fundada razão para essa fonte considerar que a identificação lhe pode trazer um prejuízo grave";
- caso o jornalista "confie piamente na fonte e considere que as informações que ela lhe presta não carecem de confirmação, pode escrever a sua notícia se o quiser, mas assumindo ele próprio a informação, sem precisar de a atribuir a uma fonte não identificada - que não lhe dará mais credibilidade";
A concluir: tem sido grande a discussão sobre o uso de fontes anónimas no jornalismo português (e não só, claro, vide caso-Kelly) e esse é o primeiro passo para que os leitores/espectadores/ouvintes sejam mais exigentes; mas também para que os jornalistas recuperem princípios perdidos.