A TSF promoveu hoje um debate muito interessante sobre o assunto polémico do momento: as violações do segredo de justiça, a partir do caso da carta anónima divulgada pelo JN (envolvendo o PR) - penso que o programa se pode ouvir aqui.
Interessante porque os convidados (directores do JN, CM, RTP e a provedora do DN) falaram em público de coisas que apenas costumam discutir internamente:
- José Rodrigues dos Santos, que contou coisas curiosas como a dos free lancers que lhe oferecem exclusivos da pedofilia, a troco de nada, para priviligiar umas das partes, reconheceu que publicaria a carta;
- João Marcelino, que lidera o jornal mais combativo, disse que há um mês que sabe da nádega de Paulo Pedroso e nunca considerou isso notícia; disse também que nomedamente os dois canais privados estão a ser instrumentalizados pelas duas partes;
- Os três directores concordaram na utilidade de criação de uma ordem dos jornalistas, tal como aliás o moderador Carlos Pinto Coelho;
- Estrela Serrano disse que há jornais (em sentido literal ou figurado?) que discutem a primeira página com os seus departamentos de marketing (avaliação de impactos e vendas). Os outros recusaram a ideia;
- Sobre o segredo de justiça é que se discutiu pouco: disse-se que em alguns países nunca se viola esse segredo, mas não se avançou muito mais...
Uma nota pessoal: também eu já aqui escrevi que publicaria a notícia da carta tal como JN o fez; também defendo a utilidade de uma ordem para questões deontológicas, mas acho que em casos de grande relevância (e este do Presidente configura uma situação dessas) vale a pena o jornal publicar, sujeitando-se a julgamento por violação do segredo de justiça. Não é preciso mexer na lei, basta cumpri-la...