Não concordo com a ideia que as notícias de suicídios geram mais suicídios. Além de faltarem estudos credibilizadores, cheira-me a "jornalismo patriótico".
Da mesma forma que achamos importante, quando alguém morre, dizer que foi após doença prolongada ou atropelado (porque o ouvinte vai perguntar a razão e ficará insatisfeito se não a referirmos), também a causa, quando é o suicídio, deve ser referida - se devidamente confirmado.
Vem isto a propósito da morte, na sexta-feira, do poeta e jornalista Eduardo Guerra Carneiro:
- o Expresso de sábado nada refere;
- a Lusa no sábado diz que "presume-se que se tenha suicidado";
- o Público on line (citando a Lusa) nada refere;
- o Público de sábado refere no lead o suicídio;
- o DN de domingo nada diz;
- o Público de terça (dia da cremação) nada refere;
Parece evidente que há alguma incomodidade na referência, talvez por se entender que é uma opção íntima. Mas se a morte é notícia o ouvinte/leitor tem o direito a saber, da forma mais genérica possível, a razão. Sem valorizar ou destacar. Com naturalidade.
Diferente são as tentativas de. Não são, pura e simplesmente, notícia.