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Não era minha intenção insistir no assunto, mas um e-mail, daqueles que são refundidos centenas de vezes, fez-me parar para pensar em algo que já tinha sido comentado, mas que me passou despercebido: o facto da jornalista da SIC, ferida no Iraque, ter sido transportada num avião do Estado português, deduz-se a expensas do mesmo erário.
O governo, na altura, e para evitar mais polémicas, tratou de enviar um avião fretado pelo INEM. A jornalista chegou sem problemas e a história estaria contada.
Mas há, aqui, claramente, um caso de favor.
De que a SIC não precisaria.
Que legitimidade terá esta estação de televisão (ou qualquer outro órgão de comunicação social, nas mesmas circunstâncias) para falar, relativamente a outro caso, em tratamento de favor, em benefício excepcional, em proximidade perigosa com o poder? Trata-se de uma incompatibilidade que pode pôr em causa a imparcialidade.
Além disso fica a ideia - desajustada e inflamável - de privilégios só por se tratar de jornalistas!
Diferente seria se a jornalista tivesse apanhado uma boleia ou o avião fizesse um pequeno desvio. Mas, no caso em apreço, o avião foi de propósito ao Kuwait, o que terá custado alguns milhares de contos.
Nas contas anuais da SIC isso não teria significado e a estação ficava isenta de suspeitas e associações mais ou menos perigosas...
O barato sai caro!

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