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Incompatibilidades - um caso exemplar (e próximo)

Passou despercebido um caso que configura um valor que aqui já se defendeu diversas vezes: os jornalistas são cidadãos como outros, com os mesmos direitos constitucionais, mas há óbvias incompatibilidades com determinadas funções:
O anterior treinador do Desportivo de Chaves, José Alberto Costa (JAC), depois de despedido, acusou um jornalista de ser um dos responsáveis pelo sucedido. É o costume, a culpa é sempre dos jornalistas, dirão alguns.
Acontece que o jornalista em causa, Carlos Veras, correspondente de O Jogo em Chaves, foi director do departamento de futebol do clube. Ter-se-ão incompatibilizado e JAC exigiu a saída de Carlos Veras, o que aconteceu. Diz o antigo treinador: "Como é jornalista, passou a frequentar os treinos e, um dia, fui confrontado com ele e disse-lhe tudo o que tinha para dizer. Acabei por ser vítima de um sujeito que, enquanto director, foi oposição ao meu trabalho".
Já Carlos Veras comentou: "Tive problemas com o técnico, porque ele pretendia utilizar a minha condição de homem da comunicação social para alterar as minhas crónicas e influenciar os restantes companheiros de imprensa, algo que acho indecente" (citações tiradas de O Record).
Não pretendo, obviamente, julgar ninguém nem, sequer, apurar quem tem razão. E até parto do princípio que o jornalista em causa, durante o tempo em que foi director do Chaves, não escrevia em O Jogo sobre os jogos desse clube.
Mas torna-se óbvio, pelo menos, que o facto de ter continuado a acompanhar o clube, depois de ter saído, só podia acabar mal.
Aos jornalistas, como aos políticos, não basta ser. É preciso parecer...
PS - quem assinou a notícia em O jogo sobre a saída de JAC? Carlos Veras, precisamente. Eu não o teria feito.

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