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Incompatibilidades e imparcialidade... a brincar

A decisão da BBC de passar a proibir os jornalistas e apresentadores de escreverem em jornais, justificada como um garante de imparcialidade, não pode ser levada a sério.
Diz a BBC que "quando os nossos jornalistas escrevem em jornais isso é visto como uma extensão do seu trabalho na BBC" e que "a imparcialidade é um elemento essencial da reputação da BBC e do nosso jornalismo".
Em suma, como os jornalistas escrevem artigos de opinião em jornais que se sabem ser alinhados mais à esquerda ou mais à direita, a BBC sai prejudicada.
Curioso como a empresa só se lembrou agora, quando esta é uma tradição com décadas; curioso como isto aparece a seguir ao caso-Kelly; curioso, finalmente, como nenhum outro órgão de comunicação social, no mundo se lembrou disto (com este motivo, uma vez que pode argumentar-se com a necessidade de exclusividade).
Trata-se de uma brincadeira, sem dúvidas: o problema é que, depois de ter feito as revelações na rádio BBC sobre as armas do Iraque, o jornalista da BBC Andrew Gilligan publicou um texto no "Mail on Sunday" onde contou mais coisas e revelou, por exemplo, o nome da fonte.
Na BBC acredita-se que a polémica teria sido muito menor se Gilligan se tivesse limitado à rádio.
E para cortar o mal para raíz proibe. Pode resultar. Não me venham é falar em incompatibilidades por causa da imparcialidade...

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