« | Main | O sensacionalismo e o tabloidismo (tabloidização?) »

Tenho uma ideia, certamente muito insólita, do conceito de sensacionalismo e, até prova em contrário, vou alimentando-a: só há sensacionalismo quando não há correspondência entre aquilo que o(s) jornalista(s) diz(em) e os factos - quando há falta de rigor, portanto. Esta desadequação - na rádio - manifesta-se muitas vezes entre o lead do editor e a peça do repórter, entre a primeira formulação do título (quando há títulos) e o desenvolvimento dos factos ou entre o primeiro parágrafo (o lead) e o resto do texto.
> Ouve-se: (editor) "Tarde de sobressalto no Porto. A Polícia Judiciária deteve um homem, acusado de ter esfaqueado cinco mulheres; uma morreu e quatro ficaram feridas".
> Tarde de sobressalto?
> Para quem?
> A detenção, ainda por cima, tinha sido no dia anterior.
> A notícia era importante, indiscutivelmente, mas a primeira frase - o lead - serviu apenas para sobressaltar os ouvintes. Isso é sensacionalismo, porque se exageram os factos, com ou sem objectivos de audiência.
> Outro ouve-se: "Acordar sobressaltado no Iraque. Duas explosões perto de Bagdade..."
> Em todo o Iraque? Se foi apenas perto da capital, faz sentido dizer que todo o país teve um acordar sobressaltado? Mesmo "acordar sobressaltado em Bagdade" parece-me uma fórmula manifestamente exagerada...
Finalmente (da televisão): "Um jovem deixou o país de boca aberta ao entrar para Faculdade de Medicina aos 16 anos". Todo o país?

> PS - sobre o primeiro caso, lê-se no JN: "José A., 38 anos, esfaqueou cinco idosas em apenas 12 dias. Matou uma, feriu gravemente quatro". O tribunal que prepare a sentença, o homem já foi julgado e condenado...

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