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Não vou ao ponto de dizer que a presidência da República terá exigido previamente as perguntas na entrevista de ontem (embora certamente gostasse...), mas é óbvio que o Presidente sabia que a entrevista não iria abordar apenas as questões da justiça e da Casa Pia em concreto.
Qualquer um perceberia que as opções do governo no Orçamento de Estado, as consecutivas crises na educação e saúde ou o referendo europeu seriam temas obrigatórios. Sampaio também.
Então porquê aquela insistência, junto dos entrevistadores, para que não fossem feitas mais perguntas sobre a Casa Pia?
Sampaio chegou ao ponto de, na primeira resposta, dizer que “esperava que houvesse perguntas sobre outros assuntos” e foi insistindo com a necessidade de não gastar a entrevista só com esse tema.
Esta preocupação (exagerada, ainda por cima) deixa o Presidente mal, porque fica a ideia de intranquilidade.
Mas – e é esse o aspecto que mais interessa aqui – é uma forma de condicionar os entrevistadores, de os pressionar, de evitar as perguntas mais – supõe-se pelo seu comportamento – incómodas.
Felizmente os entrevistadores não se deixaram intimidar e perguntaram tudo o que havia para perguntar. Mas noutras circunstâncias podia ter resultado!
Curioso: quem ler a entrevista no Público não encontra qualquer uma dessas referências (que, ainda por cima, deu origem a um som, destacado, pelo menos, esta manhã na A1)!

PS – mais do que medo das perguntas ou hipotética incomodidade com as respostas, penso que a explicação para este “nervosismo” do Presidente se situa noutro âmbito: a relação autista que vem cultivando, nos últimos anos, relativamente à comunicação social, com sistemático desrespeito pelo trabalho dos jornalistas. Terá sido apenas isso?

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