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Alguns comentários sobre o caso-Kelly e o jornalismo (sendo que, se calhar pela primeira vez, está a fazer-se história em cima do momento, e só mais tarde haverá outras certezas):
- este parece ser um caso de falta de fontes de informação; Andrew Gilligan, da BBC, conseguiu uma que lhe disse coisas muito importantes, mas apenas uma; teria precisado de outras, para testar todas as informações;
- encontrar uma fonte que ousasse dizer a um jornalista o que David Kelly disse é tão insólito que viu-se e está a ver-se ainda o resultado (e falta saber as consequências políticas para Tony Blair);
- o próprio Gilligan já reconheceu erros no seu trabalho, nomeadamente quando afirmou que Kelly acreditava ter sido o Governo a manipular o relatório das armas iraquianas;
Ou seja, parece certo que o jornalista explorou em demasia as informações dadas pelo cientista. levando longe de mais os dados na sua posse. O assunto era explosivo, mas Gilligan ainda o acendeu mais...
O jornalista merece críticas mas também elogios, pelo facto de ter "sacado" uma notícia de grande relevo, que ninguém desmentiu na essência. Só se desconhece - ainda - o autor das armas químicas em 45 minutos.
Entretanto, a divulgação da troca de correspondência entre Gilligan e deputados britânicos, sugerindo perguntas a Kelly, na comissão de inquérito, cujas respostas seriam devastadoras para o governo de Blair, mostra alguma promiscuidade, típica dos jornalistas em círculo fechado (os grandes especialistas... como Gilligan), os "lobby reporters", como são chamados na Casa Branca!

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