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A Volta a Portugal em bicicleta que hoje terminou foi mais um exemplo das perversidades dos exclusivos e, principalmente, do estatuto de (neste caso) "televisão oficial".
Tem alguma lógica que para a RTP este tenha sido um acontecimento que ocupou horas e horas diárias e para a concorrência televisiva às vezes nem 1 minuto?
Não estamos a falar de uma mesma coisa?
Os critérios jornalísticos não são - com subtilezas - universalmente aceites?
A própria TSF também esteve mal; como não tinha o estatuto de "rádio oficial" optou por uma cobertura minimalista (quando, em anos anteriores, sendo "rádio oficial" até a helicópteros recorreu...).
Todos estão de acordo que esta foi a melhor volta dos últimos anos. A nível de organização, competição e emoção. Com os portugueses a ganharem tudo.
Pois não foi isso que terão pensado os telespectadores da SIC ou da TVI ou, mesmo, os ouvintes da TSF (ainda bem que não há espectadores ou ouvintes puros).
Admito que a organização precise de disciplinar o acesso às imagens, porque não pode haver três helicópteros nem três motos por cada estação.
Mas a opção vigente, a de dar tudo à estação oficial, é altamente perversa, porque faz com que a concorrência (para não ser obrigada a reconhecer que não tem) desvalorize. Até para quem organiza é mau...
Considero esta questão dos estatutos negociados uma forma de pressão interna, uma vez que cada jornalista, ou cada editor, fica impedido, por acordos anteriores (à sua margem), de apostar na cobertura que melhor entender, no momento que melhor entender.
Um jornal, uma rádio ou uma televisão nunca deveriam ser oficiais de coisa nenhuma. É anti-jornalístico...

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