Caso (real): o relatador destacado para determinado jogo de futebol atrasa-se e apenas consegue chegar ao intervalo. Outra pessoa - o comentador - fez o relato na primeira parte. O relatador pega ao intervalo e o comentador passa, finalmente, a comentar. O ouvinte terá notado a diferença de registos, não só porque são duas vozes muito conhecidas, mas, sobretudo, diferentes ao nível do tom+timbre. Mas ninguém lhe explicou nada no recomeço do jogo.
Considerações: qualquer pessoa se pode atrasar, embora isso - naturalmente - não deva acontecer; mas o respeito pelo ouvinte está acima de TUDO. Sorte da rádio que tem um comentador que sabe fazer relatos ("a função mais difícil de desempenhar na rádio"), mas quem chega atrasado, na segunda parte, teria de dar uma justificação a quem ouve. O ouvinte perceberia e até ficaria solidário com o azar. Não dizer nada é chamar-lhe estúpido, é pensar que os ouvintes não têm sentido crítico. Quem pensa assim faz uma análise de curto prazo...
(Decidi colocar este assunto no "relato de futebol", mas o princípio é igualmente válido para qualquer situação em que haja directo e atraso da voz principal).