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Ontem o nosso primeiro ministro agradeceu o envolvimento das rádios e das televisões na recolha de fundos para as vítimas dos incêndios.
Na verdade, da RTP à SIC, da RDP à RR, foram muitos os meios de comunicação que se envolveram em contas solidárias.
Percebo o agradecimento de Durão Barroso, mas já tenho muito mais dificuldades em entender o envolvimento das rádios e das televisões.
Felizmente a TSF manteve-se de fora, o que facilita a minha análise, mas a opinião seria sempre a mesma:
- estamos no domínio do chamado "jornalismo de causas", em que - quer queiram quer não - o órgão de comunicação e os seus repórteres perdem a independência para noticiar o que tiver a ver com essa situação;
- e se o "peditório" corre mal, acontecendo que o dinheiro acaba noutras mãos que não as previstas? seria a primeira vez? e se a angariação da concorrência corre mal, noticiamos?
- a TSF envolveu-se (e terá sido a primeira vez que o fez) demasiado no caso de Timor, promovendo campanhas e iniciativas completamente marginais às notícias. Não é a função de um órgão de comunicação social;
- e se relativamente a uma rádio de serviço público (ou uma televisão) se pode introduzir alguma excepção, isso será inaceitável num órgão exclusivamente noticioso como a TSF, o Público, o DN ou o Expresso (para dar alguns exemplos);
Já agora, é mesmo para ajudar alguém que se fazem as recolhas ou apenas como relações públicas (portanto, um interesse... interesseiro)?

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