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Ouvem-se tantos disparates e nem pensamos no que dizemos!
De há uns dias: "... a urna com os restos mortais de Sérgio Vieira de Melo". Porquê "restos mortais"? O corpo do diplomata não estava inteiro?
Esta é uma daquelas expressões que (por diversas razões, históricas, culturais, etc) se enraízam fundo na linguagem e são tão difíceis de remover.
Mesmo que, resultado de uma explosão ou de um acidente, o corpo de alguém tenha ficado em pedaços, os "restos mortais" não é uma expressão deselegante e de mau gosto?
Pôr em causa o que dizemos é um dos hábitos mais salutares dos jornalistas, mas muito pouco seguido.
E funda-se numa regra que não se ensina, embora se possa cultivar: o bom gosto e o bom senso.
Dizer "os restos mortais" não é um problema de "ruído" porque toda a gente entende e, verdade seja dita, dificilmente um ouvinte ficará chocado (tal a sua banalização), mas de criatividade na linguagem. Ou, mais importante, de exigência quando nos queremos fazer entender com os ouvintes.

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