A leitura de uma recente crónica sobre vinhos alertou-me para um caso. O jornalista (e é, neste caso, irrelevante se estamos perante um jornalista ou não) tomou como suas as informações que constam do rótulo e descreveu-as, sem qualquer citação, no texto. Acontece que é impossível - a menos que tenha assistido a todo o processo de vinificação - ele saber todos aqueles pormenores, típicos de um contra-rótulo (publicidade, portanto).
A confusão entre informações apuradas pelo jornalista (ou, genericamente, por quem trabalha no jornalismo) e informações oficiais tem de ficar clara, porque a credibilidade de uma e de outra variam fortemente.
Separar a opinião das notícias é fundamental. Mas mesmo num artigo de opinião é importante que se saiba o que é da responsabilidade de quem assina.
Na rádio esta separação ainda é mais dramática, porque, a partir do momento em que não há som, mesmo as aspas são difíceis de demarcar.